É uma das decisões mais comuns em assembleia de condóminos, e uma das que mais vezes volta à mesa passado um ano.
A conta que se faz na assembleia
O porteiro custa uma verba mensal visível na conta de todos. Há sempre alguém que pergunta, com toda a razão, o que é que aquilo traz de concreto. Ninguém consegue responder com um número, porque o que a portaria evita não se mede — não há factura das coisas que não aconteceram.
Vota-se, corta-se, e no mês seguinte a quota desce. Toda a gente fica satisfeita, e durante uns meses parece que a decisão foi acertada.
A conta que aparece depois
Não chega numa rubrica chamada segurança. Chega em encomendas que desaparecem do átrio e ninguém sabe explicar. Chega no portão da garagem que fica aberto porque alguém entrou atrás de outro carro. Chega em obras nas fracções sem ninguém saber quem anda lá dentro, e em correio no chão.
E chega, sobretudo, no desgaste: em assembleias tensas, em vizinhos a discutir por causa de uma porta, e em fracções que se tornam mais difíceis de arrendar sem ninguém perceber bem porquê.
A portaria raramente é uma despesa de segurança. É uma despesa de funcionamento do prédio.
O meio-termo que costuma resolver
Nem sempre a resposta é manter o posto vinte e quatro horas. Muitos condomínios resolvem bem com presença física nas horas críticas — entradas e saídas, entregas, fim de tarde — e portaria virtual no resto do tempo, com vídeo-porteiro e portão ligados à central.
Fica mais barato do que o posto permanente e resolve a maior parte do que a assembleia queria resolver quando cortou. É preciso é fazer as contas ao que se passa naquele prédio, e não copiar o que o prédio ao lado fez.
O que isto não resolve
Nenhuma solução impede que um condómino deixe a porta aberta ou dê o código a quem não devia. A segurança de um prédio é sempre metade equipamento, metade hábito de quem lá vive. A parte dos hábitos não se compra.
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